quinta-feira, 10 de julho de 2014

Entrevista com a banda Anjo Gabriel (Recife/PE)

Primeiramente o Blog Limonada Hippie agradece a todos da banda Anjo Gabriel pela colaboração em nos conceder essa entrevista.

(Clique na imagem para ampliar)

Limonada Hippie - Como surgiu a banda e há quanto tempo ela existe?
Anjo Gabriel - A banda surgiu quando dois dos integrantes (Cris Ras e Shanti (Marco da Lata) se conheceram em uma comunidade chamada Ripohlandya em 2005. A experiência comunitária enriqueceu nossa vontade de fazer um som. Ficávamos decepcionados com a maioria das bandas que escutávamos e queríamos um som mais astral, mais haver com a sonoridade dos anos 60 e 70 que curtíamos muito.

Quais as influências?
As influências da banda são diversas, e agregam diversas sonoridades que cada músico vem trazendo com o tempo. A base do som é basicamente tirada do Kraut rock alemão, psicodelia inglesa, hard rock, Jazz, e outros elementos. Porem, mais do que estilos musicais, os meios de produção e gravação analógicos são o que realmente conta para o som da banda, principalmente nas timbragens e truques de produção no estúdio.

Como chegaram ao nome 'Anjo Gabriel'?
O nome nos veio em uma energia amarela que descia do teto da Ripohlandya, logo após tomarmos o chá das 5. Apareceu um anjo com 170 asas que identificamos como o Anjo Gabriel que queria fazer contato conosco.

Vocês são de Recife, fogem do eixão Rio/São Paulo o que para nós, amantes da música, é muito bacana ver, além de ser muito importante essa 'mixturação'. Conte-nos um pouco de como é a cena (undergound e alternativa) em Recife, quais são as maiores dificuldades encontradas para apoio (estado e cidade) e como o público recebeu essa vertente de som. 
A cena aqui é bem tortuosa, como em qualquer canto, e nos deparamos bastante com dificuldades em encontrar algum lugar para tocar e criar uma rotina de shows. Isso afeta nossas apresentações por aqui. Produzimos uma série de shows por um período, a UFO Tropicália, mas a burocracia para manter um local era grande e sempre batia polícia nas nossas festas. De três anos para cá direcionamos nosso método de trabalho e decidimos nos concentrar só em turnês, na produção dos discos e em shows pontuais pela cidade. O público recebe bem nosso som, temos alguns fãs cativos.  

Vocês estão com uma parceria bem bacana com a produtora 'Abraxas' da cidade do Rio de Janeiro. Como foi que rolou o contato, como vocês veem essa iniciativa e como está sendo essa experiência de levar o "Psychedelic Rock" aos cariocas, um povo que é consagrado e visto mais pelo lado do samba?
Foi bem espontânea. A Abraxas nos mandou um e-mail falando do seu trabalho e convidando a gente para fazer parte da turnê do Mars Red Sky em novembro de 2013. Achamos ótima a iniciativa e topamos um tour. Felipe (Abraxas) é um cara desenrolado, andou por vários festivais na gringa e por aqui, saca de produção e consegue ver um sistema de trabalho envolvendo bandas das vertentes mais obscuras como o stoner, psych. Muito saudável a motivação deles. Quanto ao público carioca, eles sempre receberam bem nossos discos e shows, tocamos desde 2011. É bem legal sentir a reação depois das apresentações, sem dúvidas um lugar onde a psicodelia está presente.

Foto: Ravi Moreno



Como foi dividir o palco com a lendária banda de Rock Progressivo 'Módulo 1000'?
Do caralho, uma das melhores bandas que o Brasil já teve. Um dos melhores discos de rock de todos os tempos, e o Daniel Romani é uma figura. Foi uma grande viagem, uma honra poder conhecer pessoas desse naipe.

Vocês também tocaram no "Aldeia Rock Festival" um dos lugares que vem sendo muito bem falado por manter uma sinergia orgânica, com bandas que condizem com o lugar. Como foi para vocês sentir a vibe do lugar e como vocês veem esse tipo de festival, que mantem uma tradição 'woodstoquiana'?
É sempre como estar em casa.  Já tocamos em alguns festivais do tipo, mas o Aldeia Rock foi sem duvida um dos que vão ficar na memória. Esse tipo de festival é a cara da banda, e a tendência é que nossos shows nesses eventos sejam mais energéticos que os “normais”, pois é onde temos liberdade de fazer tudo o que queremos ao vivo, literalmente ligar a ignição do disco voador e levar o publico junto.

Conte-nos um pouco sobre a produção do disco "Lucifer Rising", como foi o processo? O álbum é mesmo sincronizado com o filme e como surgiu essa ideia?
Capa do disco Lucifer Rising - Anjo Gabriel (2013)
A ideia surgiu a partir de um convite que recebemos de um festival aqui em Recife, onde a proposta era justamente escolher um filme e criar uma trilha alternativa para ser executada ao vivo durante a projeção. Durante o processo de composição vimos que o projeto poderia ganhar vida própria. Foi quando incluímos pedaços da trilha nos shows e fomos sentindo que a resposta era sempre muito boa. Então decidimos tornar essa ideia no segundo disco da banda. Durante a gravação terminamos tomando algumas decisões que fugiram um pouco das marcações originais que tínhamos pensado para o filme, para que o disco funcionasse independente do filme, mas assistindo sincronizado novas marcações surgiram. Tem o vídeo no youtube, cada um pode ver e ter as próprias experiências.

Anjo Gabriel


E pra finalizar, quais as novidades e projetos que o público pode esperar do 'Anjo Gabriel'.
Esse ano estamos divulgando os shows de Lucifer, mas o projeto para o próximo disco já esta se formando. Em breve entraremos no processo de composição e arranjos, e pelo que sentimos vai ser mais som do que já rolou até agora.  



Conheça o som dos caras acessando o Soundcloud.

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Música 'Lucifer Rising' sincronizada com o Filme de 'Kenneth Anger'

Música "Lucifer Rising" Partes I e II.













2 comentários:

  1. Muito bom !

    O trabalho dessa banda não é só recheado de boas vibrações 60/70, mas sua qualidade é indiscutível.

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  2. Legal, Fernanda! Eu não conhecia essa banda! :)

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