domingo, 30 de junho de 2013

Construindo a utopia brasileira




Passando pelo aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, podemos apreciar a maravilha que pode ser feita através da arquitetura e do paisagismo. Mas passando por ali, enquanto você apreciava a linda vista, já se perguntou quem teve a idéia de tal projeto? 

O idealizador do projeto do aterro do Flamengo não foi idealizado por Niemeyer nem Burle Marx, mas foi idealizado pelo arquiteto Reidy, muito pouco citado no nosso país. 




Afonso Eduardo Reidy(1909 -1964) formou-se na Escola Nacional de Belas-Artes em 1930, e fez parte da geração de arquitetos como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Trabalhou com Alfredo Agache no Plano Urbanístico do Rio de Janeiro e posteriormente como arquiteto municipal na Prefeitura do Distrito Federal. 


Participou de alguns projetos importantes: Albergue da Boa Vontade, projeto de vanguarda de 1931, a primeira obra modernista do Rio; Aterro do Flamengo Aterro do Flamengo, Museu de Arte Moderna Conjunto Residencial de Pedregulho, e Participou da equipe dos Cinco que projetaram o Ministério de Educação, ao lado de Niemeyer, Lúcio Costa, Carlos Leão, entre outros.


Em 1953, Affonso Reidy elaborou o projeto de sede definitiva do Museu de Arte Moderna, em terreno à beira-mar, no início do que viria a ser o Aterro do Flamengo, no qual participou também Burle Marx, como paisagista do projeto.


Em 1931, Reidy criou o Albergue da Boa Vontade, construído durante o governo provisório de Getúlio vargas. A obra tinha como finalidade abrigar durante o período noturno, homens de rua.

Em 1947, projetou o Conjunto Residencial Pedregulho, talvez uma de suas obras mais incríveis e inovadoras, que trazia um espírito visionário de primeiro mundo, por sua proposta inédita no Brasil de fazer um projeto de conjunto habitacional para pessoas de baixa renda, contendo não só os apartamentos em si, mas também pensando em englobar tudo que faz parte do dia a dia das pessoas, uma visão bem mais ampla de moradia e habitação. Projetado para abrigar funcionários de prefeitura de baixo poder aquisitivo, o complexo possuía:  


5 blocos de apartamentos C 6 escolas primárias 7 ginásios 8 vestiários 9 piscinas 10 campos de basquete 1 pequeno lago 12 playgrounds 13 centros de saúde 14 lavanderias 15 mercados 16 creches 17 escolas maternal 18 jardins de infância,19 passagem subterrânea de pedestres pedestres, 20 galpões preexistentes.

O Posto de Saúde destinava-se especificamente a atender aos moradores do conjunto. O mercado, outro elemento do projeto, possuía acesso de serviço, estacionamento para carga e descarga de mercadorias e acesso público. O edifício tinha o teto central rebaixado facilitando a circulação de ar. A lavanderia proporcionaria aos moradores, serviço de lavagem mecânica, facilitando o serviço doméstico.

Era localizado em Localizado em São Cristóvão, bairro não muito afastado do centro da cidade, e pretendia-se fornecer-lhes não apenas moradia, mas serviços e elementos que pudessem contribuir a uma reeducação de seus hábitos e costumes hábitos e costumes. 

A prefeitura deduzia de seus salários uma taxa mensal, bem mais baixa do que aquela de mercado, correspondente ao aluguel, direito semanal aos serviços da lavanderia, utilização das escolas por seus filhos e uso das instalações esportivas.


Ou seja, seu projeto era extremamente inovador, moderno e pensado para atender ao bem-estar social daqueles o que o habitassem.


Em 1952 criou o Conjunto Residencial Marquês de São Vicente. Nele foi construído um terreno situado para substituir uma favela no local.  Essa “favela” resultou da degradação progressiva de um “parque proletário”, construído em 1942 pela Municipalidade, em madeira e em caráter provisório, para abrigar os egressos das favelas que vinham sendo extintas, naquela época, em outros bairros centrais. 



Reidy pensava que se passava muitas horas no percurso de ida e volta para o trabalho, nas quais poderíamos estar aproveitando um tempo com a família em casa. Visando trazer uma maior qualidade de vida para as pessoas, pensou em uma forma de reprojetar a cidade, de maneira a aproximar as distancias e diminuir o tempo desse percurso.  


Por isso, para a implantação do projeto, foram feitas obras de canalização do rio Rainha e construída uma avenida de ligação do bairro do Leblon ao da Gávea. Para isso, foi necessário cortar a montanha, construindo um túnel sob ela (Túnel Dois Irmãos). No projeto, novamente são estabelecidas diferenciações entre circulação de veículos e pedestres. Os acessos por veículos são feitos perifericamente, onde também foram dispostos os estacionamentos. Reidy utiliza-se da forma serpenteante no edifício residencial, colocado ao longo do morro, sobre o túnel. 

No projeto do conjunto habitacional, mantém-se o andar livre, entre os pavimentos que abrigam os apartamentos. São projetados 748 apartamentos de vários tipos, assim como, creche, escola maternal, igreja, jardim de infância, escola primária, administração e serviço social. A taxa de ocupação é de 11,4% do total do terreno. Para a concepção estética do projeto, são utilizados pilares em V no andar intermediário.


Como o Pedregulho, este seguia a mesma filosofia, ou seja, os apartamentos seriam alugados e não vendidos aos funcionários da Prefeitura.

Infelizmente, pelo fato de morarmos em um país de terceiro mundo, Reidy não conseguiu concretizar o seu projeto por completo, e um viaduto acabou sendo construído passando por dentro do prédio principal, deturpando o projeto original.

Sem dúvida nenhuma Reidy era um visionário e imaginou um Brasil igualitário e humanizado, propondo de forma concreta, projetos que sugeriam uma maior qualidade de vida para os populares, sempre tão marginalizados e esquecidos no nosso país. Devemos nos inspirar em seres como esses, que nos provam que é sim possível, através de nossas profissões, quais querem que sejam, trabalharmos para um bem estar comum, com amor e vontade, para construirmos uma sociedade justa e feliz.

"Affonso Eduardo Reidy lutava por uma arquitetura social e econômica. Toda a sua obra foi realizada nesse sentido. Não se conhece um só projeto seu que não fosse para a comunidade. Não projetou palácios nem prédios suntuosos, pois era cônscio da responsabilidade social da arquitetura. Foi sempre um arquiteto sóbrio e revolucionário no que fez.”  (Carmen Portinho)


[icon_reidy-ofilme.jpg] Fonte: Filme Reidy - A Construção da Utopia, 

Links: 

http://arquitetandoblog.wordpress.com/2008/03/30/affonso-eduardo-reidy/
http://arquiteturabrasileirav.blogspot.com.br/2008/11/affonso-eduardo-reidy.html
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAm8oAA/obras-arquiteto-reidy

Um comentário:

  1. Excelente matéria.

    Uma aula de história, arquitetura e urbanismo.

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