terça-feira, 11 de dezembro de 2012

“Fazer Rock Progressivo hoje é difícil em qualquer lugar do mundo”.

Hoje repasso aqui uma matéria super interessante sobre o Terço e a cena de rock progressivo brasileiro, muito legal e informativa para quem curte o estilo! Boa leitura! Peace!


Sérgio Hinds tem o seu nome marcado na história da música brasileira, mais precisamente no rock progressivo tupiniquim. O guitarrista é um dos fundadores da banda O Terço que
 possui inúmeros hits nos anos 70 e 80, como, por exemplo, ‘Criaturas da Noite’, ‘1974’, ‘Hey Amigo’, ‘O Vôo da Fênix’, entre tantas outras. 40 anos após o lançamento do primeiro trabalho da banda, a gravadora Discobertas está relançando esta obra prima do rock com uma com uma compilação intitulada ‘Tributo ao Sorriso’, composta de faixas lançadas somente em obscuros compactos, entre 1970 e 1971. “Pra mim só é motivo de orgulho ver nosso trabalho reconhecido e colocado à disposição no mercado para os fãs e para as pessoas que procuram conhecer toda discografia do Terço”, afirma Sérgio Hinds.

1. O Terço junto com os Mutantes ainda é uma das grandes bandas do país. Como é fazer rock progressivo no Brasil?
SH: Fazer Rock Progressivo hoje é difícil em qualquer lugar do mundo. A música pop monopoliza as atenções e as execuções nas rádios e tvs. O Progressivo fica condicionado aos espaços alternativos de mídia. Fora da mídia as bandas acabam também tendo dificuldade de vender seus shows. Umas poucas bandas de sucesso internacional sofrem menos esse problema. Terço e Mutantes apesar de bem conhecidos tem dificuldades de ter uma agenda constante.

2. Como é ter relançado o primeiro álbum da banda, 40 anos após o lançamento oficial?
SH: O Marcelo Fróes está de parabéns pelo trabalho que vem fazendo de resgate dos discos que tiveram a sua importância na época e relançá-los remasterizados nas mídias de hoje. Pra mim só é motivo de orgulho ver nosso trabalho reconhecido e colocado à disposição no mercado para os fãs e para as pessoas que procuram conhecer toda discografia do Terço.

3. Há o projeto de novos relançamentos?
SH: Com relação a novos relançamentos, acredito que depende bastante do resultado deste.

4. E sobre um novo lançamento?
SH: Estamos compondo novas músicas para num futuro próximo entrarmos em estúdio para gravarmos um disco de inéditas. Estarei lançando pela gravadora e editora Arlequim no dia 14 de março de 2011 um CD solo gravado ao vivo.

5. Em quais trabalhos está atuando atualmente?
SH: Estou no Terço, com o meu trabalho solo e produzindo o disco da minha esposa Daniela Colla.

6. Em seu site oficial há arquivos para downloads. Acredita que este seja o melhor caminho para driblar a pirataria e a crise financeira que vive as gravadoras?
SH: No meu site só tem duas músicas para downloads. É apenas uma referência ao meu trabalho. Com relação à pirataria, no momento em que se criou o sistema digital tudo pode ser copiado e transformado com a mesma qualidade que o original e com um custo muito baixo. É impossível criar um sistema de proteção, pois tudo que se ouvir ou ver digitalmente pode ser copiado, vendido ou disponibilizado na internet. Com isso, todo o mercado cultural está comprometido com a pirataria. Até os livros estão sendo digitalizados e disponibilizados gratuitamente na internet. Acho que hoje e no futuro o faturamento dos artistas estará muito ligado às apresentações ao vivo.

Fonte: http://desburocratizando.blogspot.com.br/ (NOV/2010)

3 comentários:

  1. Gostei bastante dessa entrevista com o Sergio Hinds.

    De fato, é muito difícil fazer uma música cerebral e sofisticada hoje em dia. Se nos anos 80, o progressivo foi perseguido por hordas influenciadas pelas ideias errôneas de niilismo, perpetradas por pessoas muito mal intencionadas e com poder de sedução o suficiente para gerar formação de opinião contrária e monolítica, hoje em dia esse não é mais o principal inimigo.

    A internet trouxe uma revolução tecnológica incrível às novas gerações, todavia, trouxe seus monstrengos a reboque, também.

    Com um público consumidor cada vez mais disperso pela multiplicidade de estímulos que a rede proporciona e principalmente pela possibilidade de obter tudo grátis, ficou difícil sobreviver, ainda mais para músicos que esmeram-se em compôr, arranjar e executar suas músicas com o padrão de qualidade altíssimo que tínhamos na área do Rock progressivo, nos anos setenta.

    Aliado à isso, a falta de paciência de uma geração que cresceu sob o frenesi dos video-games, portanto não concebe ouvir uma música de 25 minutos de duração, com várias partes formando uma suíte. Ou seja, o garotão resolve se agrada-lhe ou não, em 15 segundos e parte para outra...

    Mas, ainda tem gente que gosta e eu me incluo nesse rol e sempre estarei atento ao que O Terço, faz.

    Parabéns, LH !!

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    1. A tecnologia muitas vezes atrapalha o desenvolvimento da arte, e muitas vezes ajuda tb. Acho que o aumento abusivo do preço dos cds foi o motivo do qual começaram os compartilhamentos grátis das músicas na internet, algo compreensível até então. Acho que a solução para isso seria a conscientização dos consumidores de que agora temos como comprar músicas pela internet por um valor não muito alto, e então por isso não temos mais motivos para sabota-los. Eu mesma preciso aprender a me inserir nesse processo!

      Quanto a diversidade, é sempre bem-vinda! Viva a diversidade e os preços justos!

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    2. Concordo contigo !

      Muito dessa rebelião pró-Download se deve ao fato de que por décadas, as gravadoras praticaram preços extorsivos. Isso prejudicou demais os artistas e desestimulou demais o público consumidor, pois comprar um disco tornou-se um artigo de luxo, tal como o livro.

      E muito pelo contrário, ítens culturais deveriam ser vendidos a preço mínimo, num esforço conjunto com o governo, visando fazer parte das metas educacionais do país.

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