domingo, 19 de agosto de 2012

Todos querem música, mas não querem valorizar o músico. Como assim?



Fogo destrói casa de Chiquinha Gonzaga e mata 1 no Rio

18 de fevereiro de 2010  21h51  atualizado às 22h01

Um incêndio destruiu parte do casarão abandonado onde viveu a compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935) e deixou um homem morto no início da tarde desta quinta-feira, no centro do Rio de Janeiro. A polícia investiga a hipótese de incêndio criminoso. A vítima foi identificada apenas como Luiz Felipe, 24 anos. Ele seria morador do casarão.
Localizado ao lado do antigo prédio da Cedae, na rua do Riachuelo, o imóvel de dois pavimentos servia de abrigo a invasores há pelo menos 10 anos. O fogo começou por volta das 12h. Acionados por vizinhos, os bombeiros chegaram cerca de uma hora depois e conseguiram retirar os sobreviventes. Não houve registo de feridos.
"Estava arrumando as minhas coisas para ir visitar a minha esposa, que está grávida no hospital, quando ouvi os vizinhos gritando - 'incêndio'. Vi a labareda e também saí correndo. Não vi como começou o fogo", disse José Carlos Assis, que morava no segundo andar da casa há três anos.
A história
Apesar de abandonada, a casa já foi moradia da compositora Chiquinha Gonzaga, nome ilustre da música brasileira e falecida em 1935. "Além de ter sido moradia da Chiquinha, isso aqui já foi sede do Arquivo Nacional de Teatro. Há uns 15 anos, porém, tiraram a sede daqui, alegando que o imóvel seria tombado. Uns 5 anos depois, vieram os invasores", disse o assessor parlamentar Gilson Araújo, vizinho da ocupação.


(Matéria retirada do site: http://noticias.terra.com.br)


Chiquinha Gonzaga 12 Biografia Chiquinha Gonzaga Compositora Maestrina e Pianista BrasileiraO descaso com o destino da moradia da criadora da música popular brasileira, Chiquinha Gonzaga, mostra bem o quanto esse país não valoriza a música brasileira e principalmente a profissão músico. 
Tenho certeza que em qualquer outro país que tenha o mínimo de respeito por sua cultura e sua gente abrigaria no mínimo um museu da música brasileira no local onde Chiquinha morava!

Conheça mais sobre essa mulher incrível, uma das mais importantes e representativas para o nosso país:

Texto biográfico - Chiquinha Gonzaga GONZAGA, Chiquinha – (Francisca Edwiges Neves Gonzaga).

(Retirado do site (chiquinhagonzaga.com).

Compositora, instrumentista, regente. Rio de Janeiro, RJ, 17/10/1847–idem, 28/02/1935. Maior personalidade feminina da história da música popular brasileira e uma das expressões maiores da luta pelas liberdades no país, promotora da nacionalização musical, primeira maestrina, autora da primeira canção carnavalesca, primeira pianista de choro, introdutora da música popular nos salões elegantes, fundadora da primeira sociedade protetora dos direitos autorais, Chiquinha Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, filha do militar José Basileu Neves Gonzaga e de Rosa de Lima Maria. Estudou piano com professor particular e aos 11 anos compôs sua primeira música, uma cantiga de Natal: Canção dos Pastores.

Casou-se aos 16 anos, com um oficial da Marinha Mercante escolhido por seus pais. Poucos anos depois abandonou o marido por um engenheiro de estradas de ferro, de quem também logo se separou. Passou a sobreviver como professora de piano. A convite do famoso flautista Joaquim Antônio da Silva Callado (1848-1880), passou a integrar o Choro Carioca como pianista, tocar em festas e freqüentar o ambiente artístico da época. A estréia como compositora se deu em 1877, com a polca Atraente, composta de improviso durante roda de choro em casa do compositor Henrique Alves de Mesquita e publicada pela Viúva Canongia, Grande Estabelecimento de Pianos e Músicas. Por desafiar os padrões familiares da época, sofreu fortes preconceitos. Aperfeiçoou-se com o pianista português Artur Napoleão (1843-1925). Sua vontade de musicar para teatro levou-a a escrever partitura para um libreto de Artur Azevedo, Viagem ao Parnaso. A peça foi recusada pelos empresários.

Outras tentativas fracassaram, até que conseguiu, em 1885, musicar a opereta de costumes A Corte na Roça, encenada no Teatro Príncipe Imperial. Em 1889 promoveu e regeu, no Teatro São Pedro de Alcântara, um concerto de violões, instrumento estigmatizado àquela época. Foi uma ativa participante do movimento pela abolição da escravatura, vendendo suas partituras de porta em porta a fim de angariar fundos para a Confederação Libertadora. Com o dinheiro arrecadado na venda de suas músicas comprou a alforria de José Flauta, um escravo músico. Chiquinha Gonzaga também participou da campanha republicana e de todas as grandes causas sociais do seu tempo. Já era uma artista consagrada quando compôs, em 1899, a primeira marcha- rancho, Ó Abre Alas, verdadeiro hino do carnaval brasileiro.

Na primeira década deste século esteve algumas vezes na Europa, fixando residência em Lisboa por três anos. De volta ao Brasil deu uma contribuição decisiva ao teatro popular ao musicar, em 1912, a burleta de costumes cariocas Forrobodó, seu maior sucesso teatral. Em 1914 seu tango Corta-Jaca foi executado pela primeira- dama do país, Nair de Teffé, em recepção oficial no Palácio do Catete, causando escândalo político.

Em setembro de 1917, após anos de campanha, liderou a fundação da SBAT, sociedade pioneira na arrecadação e proteção dos direitos autorais. Aos 85 anos de idade escreveu a última partitura, Maria, com libreto de Viriato Corrêa. Sua obra reúne dezenas de partituras para peças teatrais e centenas de músicas nos mais variados gêneros: polca, tango brasileiro, valsa, habanera, schottisch, mazurca, modinha etc. Chiquinha Gonzaga faleceu aos 87 anos de idade, no dia 28 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro.

4 comentários:

  1. Ouvi o Juca Chaves dizer que o Brasil não é um país musical, e concordei. Ele argumentou que um país musical cria políticas de incentivo à música, de educação musical, de proteção às obras autorais, e no Brasil isso não existe...

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    1. É verdade Davi! Acho que nós somos um povo musical, mas não um país musical!

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  2. Realmente muito triste. Eu não sabia que a casa dela era na Rua Riachuelo, passava ali todos os dias... Lamentável!

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    1. Pois é! =/ Gostaria muito de pode passar por lá e ver a casa onde ela morou ainda em bom estado!

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