sábado, 25 de agosto de 2012

Máquina do tempo: Façam uma visita à Memoryland com Barbieri!

Hoje trazemos mais um episódio da nossa máquina do tempo, direto para os 70's (nosso lugar predileto afinal!), com algumas histórias de Antonio Celso Barbieri*, dessa vez, contando um pouco sobre o que acontecia nos shows das maiores bandas de rock n' roll brazuca da época!  Enjoy the trip! 



1) Local TUCA. Anos 70. Show dos Mutantes. No meio do show por de trás do palco o pessoal da produção começa atirar pratinhos de papelão na platéia que, aderem à brincadeira e começam atira-los de volta e, uns nos outros. As luzes stroboscópicas entram em ação e o efeito é fabuloso, parece uma invasão de discos voadores. Acabei roubando esta ideia e usando, anos depois, nos shows da banda Avenger, uma das primeiras bandas de Heavy Metal de São Paulo. Nesta banda fui o primeiro e único empresárioi tendo produzido muitos shows.

2) Local Teatro Aquários. Anos 70. É o aniversário da morte do Hendrix com vários artistas convidados. No palco quatro baterias montadas. Eu me lembro do baterista do Mona. O Tony Osanah está fazendo um solo emocionado. A coisa vai ficando cada vez mais intensa e lá no pico do momento, o cabo da guitarra que é curto despluga-se do amplificador. Tony Osanah perde o controle e joga sua guitarra longe ao mesmo tempo que se joga atrás dela esborrachando-se no chão. Ele fica lá caído e nós todos de boca aberta, sem saber o que dizer.... para mim foi muito triste e chocante ao mesmo tempo...


3) Local Teatro São Pedro. Anos 70. Acho que foi o show do Mona. O vocalista usa o microfone como um penis e faz gestos eróticos, e é preso ali mesmo. Era a época da ditadura militar e “os homens” estavam por todo lugar procurando uma desculpa para prender os artistas e o povo em geral. Recordo-me que antes deste show foi colocado na frente do palco, no chão, um gravador de rolo. O som do gravador ia direto para a mesa de som. Logo de cara, tocou dois sons que eu nunca tinha ouvido antes. O primeiro Roundabout executada pela banda Yes tirada do álbum Fragile e o segundo Schools Out executada por Alice Cooper e tirado do álbum homônimo. Bom, no outro dia fui no Museu do Disco e comprei os dois álbuns importados porque os mesmos ainda não tinham sido lançados no Brasil.

4) Local Ibirapuera. Anos 70. É tarde da noite e o concerto que é ao ar livre, dá uma parada no som, tipo intervalo para o público dar uma cochilada. A madrugada rola e quando dia começa aparecer, Manito e a banda Som Nosso de Cada Dia desperta todo mundo detonando O Guarani. Que jeito maravilhoso de começar o dia. Inesquecível!

5) Local Ibirapuera. Anos 70. Meu irmão tinha um gravador cassete Phillips estéreo. O bicho era apenas elétrico, não funcionava com pilhas. Levei uma extensão enorme e indo ao técnico de som, pedi para ele uma saída elétrica. O técnico com a maior gentileza do mundo me arrumou uma tomada. Ele era o Allan o técnico dos Mutantes. Não existe mais gente assim sem frescura. Todo mundo está preocupado com direito autoral, a pirataria e cheio de ego. Gravei umas cinco fitas que fiz a besteira de emprestar para o Magnólio. Ele nunca mais me devolveu....

6) Local Bom Retiro, O Show que Não Tem Preço, Pague-nos Com a Sua Presença. Ano 72. Esta foi a minha primeira produção. Apresentaram-se os grupos John, Duda (Neves), Palhinha e Marcão + a banda US Mail (com Percy nos vocais) + a banda Canabis. Deu o maior rolo porque não tinha censurado o show. A policia chegou e eu tive que me esconder no teto do palco perto dos holofotes. Gravei o show e emprestei a fita para o Duda Neves que nunca mais me devolveu... que pena!

*Antonio Celso Barbieri, além de participar de centenas de  shows e pequenos projetos na primeira metade dos anos 80, especialmente no estado de São Paulo, ajudou a Devil Discos a criar seu próprio selo produzindo seus dois primeiros álbuns. O primeiro foi uma coletânea de bandas gravadas ao vivo no Teatro Lira Paulistana chamada São Power e o segundo o primeiro álbum da banda Korzus chamado Korzus ao Vivo e baseado em gravações de shows feitos no Teatro Lira Palistana e Teatro Sesc Fábrica Pompéia. 

Mais tarde participou do partido comunista brasileiro, e no começo de 1987 embarcou para a Europa e acabou firmando raizes em Londres onde continuou a batalha pelo rock brasileiro ajudando bandas.

Virou Correspondente Internacional para a revista Dynamite de São Paulo, entrevistando de Metalica a Blur passando por Radiohead e muitos outros.
Cobriu shows importantes como o primeiro concerto em Londres do Foo Fighters e a volta do Sex Pistols além de ter presenciado o legendário James Brown ao vivo. Ainda foi previlegiado em poder ter assistido os shows do original Judas Priest, Iggy Pop e a inesquecível Tina Turner em Londres, assim como George Clinton e Jorge Benjor em Canes.
Esteve presente nos concertos memoráveis do nosso João Gordo e Ratos de Porão e do mundialmente famoso Sepultura. Hospedou incontáveis números de bandas brasileiras vindas de várias partes do nosso país. Um dos pontos altos da carreira, foi a produção em 1992 do histórico concerto da banda Korzus no legendário Marquee Club.



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