segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Baú de novidades

(Antes de qualquer coisa, agradeço a generosidade e contribuição do meu amigo Luiz Domingues que doou esse texto para nosso humilde blog!).


Com o sugestivo nome "O Início, o Fim e o Meio", foi exibido no Rio de Janeiro no último dia 17 de outubro, a avant-premiere da cinebiografia de Raul Seixas, que promete ser o documento mais bem acabado sobre o artista.

Dirigido por Walter Carvalho (Janela da Alma, Cazuza), o filme tem o mérito de elucidar pontos obscuros da carreira de Raul Seixas, indo além das obviedades.

Um desses pontos é o acréscimo de imagens raras, como por exemplo do Festival de Saquarema em 1976, onde o jornalista Nelson Motta foi um dos organizadores e o concebeu para ser um Woodstock tupiniquim.

Assuntos espinhosos (e evitados por anos), vem à baila, como por exemplo a parceria com Paulo Coelho e a inevitável questão da ligação de ambos com as ideias do bruxo britânico Aleister Crowley e sua Thelema, além da questão das drogas etc. Cenas do filme caseiro realizado em super-8 à época e denominado "Contatos Imediatos do Quarto Graal", estão inseridas.

Outro trunfo, foi o de conter entrevistas com suas filhas e ex-esposas, fato raro em qualquer outro documentário ou reportagem pregressa, tamanho o embate jurídico que travam entre si pelo espólio cultural de Raulzito.

Segundo Walter Carvalho, o copião original chegou a acumular 400 horas de material filmado, com depoimentos colhidos de 90 pessoas.

Falta sentida foi o episódio de 1982, onde Raul foi levado à uma delegacia de Polícia, acusado de ser impostor dele mesmo (há relatos de que seu cabelo e barba foram puxados violentamente por policiais incautos que acreditavam serem postiços), num show no município de Caieiras, na Grande São Paulo, numa das estórias mais folclóricas de sua carreira.

Embora sentida no filme , essa ausência acaba sendo complementada pelo curta metragem "Tanta Estrela por aí", de Tadeu Knudsen (1993), onde Rita Lee, numa caracterização hilária que rivaliza com Julie Andrews em Victor/Victoria, interpretou Raul sendo confundido com um impostor. 

Filmar e editar certamente foi a parte mais fácil da produção para o cineasta Walter Carvalho, pois difícil mesmo foi a negociação jurídica para satisfazer as três filhas e cinco esposas do Raul, imbróglio que consumiu um ano e meio !

Alheios à essas dificuldades com conflitos familiares, o público Rocker do Brasil agradece a produção e torce para que esse filão das cinebiografias musicais prospere e preencha lacunas históricas, começando a quebrar o paradigma de que o Brasil não preserva sua memória artística e cultural.

Luiz Domingues é um ótimo músico e fez parte de bandas clássicas como Língua de Trapo, A chave do Sol, Patrulha do Espaço e mais recentemente A Pedra.


Além disso escreve no blog http://planetapolemico.blogspot.com/

5 comentários:

  1. muito bom o texto. Vou ver quando estiver em cartaz. Sei que teve uma exibição na 35 mostra internacional de cinema aqui em sp.

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  2. Espero que o filme seja lançado em Curitiba.
    Raul Seixas sempre foi um artista intrigante. Já vi gente que o idolatra e que o odeia.

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  3. Muito bem elaborado o texto já tinha ouvido falar desse filme um ano atrás mais somente agora ele foi lançado espero ver logo em breve...

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  4. muitoooooooo bom o texto facil de entender e deixa nos o publico muito curioso para saber td a historia e a vida nao divulgada ate entao do nosso eterno raul ! valeu pessoal !

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