sábado, 26 de fevereiro de 2011

Espiritismo e carnaval

Artigo retirado do jornal: O Idealista.

Fonte: revista Visão Espírita março/2000

"Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu..." - Caetano Veloso.

O espiritismo nos esclarece que estamos o tempo todo em companhia de uma inumerável legião de seres invisíveis, recebendo deles boas e más influências a depender da faixa de sintonia em nos encontremos. Essa massa de espíritos cresce sobremaneira nos dias de realização de festas pagãs, como é o carnaval.

O entendimento do sambista Noel Rosa, após seu desencarne, quanto às ebulições momescas, é claro, também mudou: "O carnaval para mim, é passado de dor e a caridade, hoje, é-me festa de todo, dia, qual primavera que surge após inverno demorado, sombrio".

A carne nada vale. O carnaval, conforme os conceitos de Bezerra de Menezes, é festa que ainda guarda vestígios de barbárie e primitivismo que ainda reina entre os encarnados, marcado pelas paixões do prazer violento. Como nosso imperativo maior é a lei da Evolução, um dia tudo isso, todas essas manifestações ruidosas que marcam nosso estágio de inferioridade, desaparecerão da Terra. Em seu lugar, então, predominarão a alegria para a jovialidade, a satisfação, o júbilo real, com o homem despertando para a beleza e a arte, sem agressão nem promiscuidade.

A folia em que pontifica o Rei Momo já foi um dia comemoração dos povos guerreiros, festejando vitórias, foi reverência coletiva do deus Dionísio, na Grécia clássica, quando a festa se chamava bacanália; na velha Roma dos Césares, fortemente marcada pelo aspecto pagão, chamou-se saturnália e nessas ocasiões se imolava uma vítima humana.

Na idadé média, entretanto, é que a festividade adquiriu o conceito que hoje apresenta, o de que uma vez por ano é lícito enlouquecer, em homenagem aos falsos deuses do vinho, das orgias, dos desvarios e dos excessos, em suma.

Bezerra cita os estudiosos do comportamento e da psique da atualidade, "sinceramente convencidos da ncessidade de descarregarem-se as tensões e recalques nesses dias em que a carne nada vale, cuja primeira sílaba de cada palavra compõe o verbete carnaval".

Assim, em três ou mais dias de verdadeira loucura, as pessoas desavisadas, se entregam ao descompromisso, exagerando nas atitudes, ao compasso de sons febris e vapores alucinantes. Está no materialismo, que vê no corpo, a matéria, como início e fim em si mesmo, a causa de desregramento. Esse comportamento afeta inclusive aqueles que se dizem religiosos, mas não têm na verdade, a necessária compreensão de vida espiritual, deixando-se também enlouquecer uma vez por ano.

Processo de loucura e obsessão:

As pessoas que se animam para a festa carnavalesca e fazem preparativos organizando fantasias e demais apetrechos para o que consideram um simples e sadio aproveitamento das alegrias e dos prazeres da vida, não imaginam que, muitas vezes, estão sendo inspiradas por entidades vinculadas às sombras.

Tais espíritos como informam Manoel Philomeno, buscam vítimas em potencial "para alija-lasdo equilíbrio, dando início a processos nefandos de obsessões demoradas". Isso acontece tanto com aqueles que se afinizam com os seres pertubadores, adotando comportamento vicioso, quanto com criaturas cujas atitudes as identificam como pessoas respeitáveis, embora sujeitas às tentações que os prazeres mundanos representam, por também acreditarem que seja lícito enlouquecer uma vez por ano.

Esse processo sutil de aliciamento esclarece o autor espiritual, dá-se durante o sono, quando os encarnados, desprendido do corpo físico, fazem incursões às regiões de baixo teor vibratório, próprias das entidades vinculadas às tramas de desespero e loucura. Os homens que assim procedem não o fazem simplesmente atendendo os apelos magnéticos que atrai os espíritos desequilibrados e desses seres, mas porque eles se ligam pelo pensamento, "em razão das preferências que acolhem e dos prazeres que se facultam no mundo íntimo". Ou seja, as tendências de cada um, e a correspondente impotência ou empatia em vencê-las, são o imã que atrai os espíritos desequilibrados e formentadores do desequilíbrio, o qual, em suma, não existiria se os homens se mantivessem no firme propósito de educar as paixões instintivas que os animalizam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário